Impressão Literária: O Oceano no Fim do Caminho

Oie, tudo bem?

Aquele momento que você, pela primeira vez, lê um livro de um autor mega conceituado, principalmente no mundo das HQs, e após ver os vídeos de resenha desse mesmo livro se questiona “será que eu realmente entendi o livro?”. Antes de prosseguir com a minha Impressão Literária, vamos ao pequeno vislumbre da história:

Um homem que tem por volta de 40 anos está saindo de um enterro e para fugir um pouco da dor ele resolve dirigir até sua casa que onde  morou na infância. Ao chegar no local onde ficava sua casa recorda-se que foi demolida e que no final da estrada há uma fazenda da família Hempstok, onde morava uma amiga que ele teve ainda quando tinha apenas 7 anos. Ele vai até a casa e se encontra com uma velha senhora, que a princípio ele acredita ser a mãe da Lettie, sua amiga,  já envelhecida. Na fazenda há um lago e é para lá que ele vai, o mesmo lago que sua amiga falava ser um oceano, senta em um banco e se lembra de coisas que a muito não se lembava, coisas que aconteceram com ele aos sete anos. Quando criança, sua familia estava passando por problemas financeiros e tiveram que alugar o seu quarto e ele passa a ir dormir no mesmo quarto da sua irmã mais nova. Uma manhã, quando ele estava se preparando para tomar seu café da manhã com seu pai e o questiona onde está seu quadrinho que o pai comprou, o pai o informa que está no carro, mas o menino se dá conta que o Mini branco não está lá e recebem uma ligação da polícia informando que o carro foi encontrado no final da estrada e é para lá que eles vão e quando chegam vêem que o minerador de opala que estava residindo em sua casa, cometeu suicídio dentro do carro. Nesse momento aparece uma menina chamada Lettie Hempstok e leva o garoto para a fazenda enquanto os policiais iniciam a investigação. A partir daí elementos fantásticos começam a permeiar a história, você conhece a Velha Senhora Hemptstok, a Gillie Hempstok e a Lettie, e o menino conhece o lago que um dia passa a crer ser um oceano.

Esse é o problema com as coisas vivas. Não duram muito. Gatinhos num dia, gatos velhos no outro. E depois ficam só as lembranças. E as lembranças desvanecem e se confundem, viram borrões…

Gente eu sempre tive dificuldades para escrever resenhas (meio contraditório isso) porque eu sou muito mais de contar história como um todo do que escrever pontos se privando de detalhes pra dar spoilers, creio que é por isso que não me incomodo quando alguém conta o fim de um livro ou filme para mim, pelo contrário, eu até prefiro as vezes para ter certeza oceanose vale a pena. Se tratando desse livro vi muitas resenhas a respeito, antes, durante e após a minha própria leitura e isso me deu um baita ensinamento: não veja vídeo de resenhas durante a sua leitura porque isso pode interferir na sua própria opinião do livro (mais uma coisa contraditória, talvez). A questão é que quando vi o livro, além de o Gaiman ter um peso enorme na minha aquisição, eu realmente achava, pela capa, que esse livro poderia trazer uma temática de loucura. Claro que a louca fui eu por julgar o livro pela capa e mais louca ainda foi achar nos primeiros capítulos que estava lendo algo bobo e idiota. Mas o pior de tudo foi durante a leitura, na qual vi dois vídeos, um falando que não recomenda esse livro para iniciantes das obras do Gaiman e o outro dizia ser um livro que resgatou lembranças da infância… imagina o que pensei!?

Até metade do livro eu achava que não funcionaria comigo e os meus pensamentos permeavam por este campo justamente quando eu estava lendo sobre a vilã da história e isso me deixava profundamente irritada, sufocada, as atitudes dela, o “seduzir” me incomodou muito. Talvez um psicólogo (ou meu antigo psicanalista) saiba analisar isso, eu realmente não consigo explicar esse incomodo que gerou raiva em muitos momentos da leitura  e quase desisti da história. Por sorte não desisti, o mundo fantástico me prendeu de um jeito que são poucos que realmente me prendem.

Existem monstros de todos os formatos e tamanhos. Alguns deles são coisas de que as pessoas têm medo. Alguns são coisas que se parecem com outras das quais as pessoas costumavam ter medo muito tempo atrás. Algumas vezes os monstros são coisas das quais as pessoas deveriam ter medo, mas não tem.

Apesar do desconforto com a vilã, não consegui lembrar da minha infância intensamente como muitos booktubers falaram, eu consegui sim resgatar algumas peculiaridades infantis, e além disso, observo meus sobrinhos que são crianças de 8 anos e de 6 anos e que criam uma linha  tênue entre o mundo real e o mundo dela, que muitas das vezes é o ponto de fuga para os problemas, para o cotidiano que pode ser duro. Quantas e quantas vezes eu, Willyara mirim, se refugiou no mundo encantado de Formiganópolis para não lidar com a situação de que não tinha amigos, ou outros fatores que inevitavelmente chegavam. Isso, para mim, é bastante significativo, mostra realmente como quando crescemos, a gente deixa o mundo infantil de lado e não é bem assim que deve ser. Claro que o amadurecimento tem que surgir, deve, mas temos que sorrir também com a mesma inocência de quando pequenos. Uma outra coisa que me fez pensar também é referente ao coração do menino, que tem um buraco “x” por motivo “x”, e isso me fez pensar que, mesmo ainda pequeninos, coisas que acontecem tocam e podem sim, mudar a criança e tornar o adulto que somos, muitas vezes frustrados, pensando em algo que não temos, sempre procurando algo, sendo quem realmente não somos.

Uau, cada momento que penso mais e mais nesse livro eu vejo que, para mim ele não trata apenas “do que um menino passa aos 7 anos de idade e o que eu passei de parecido” mas de como o adulto é moldado. Acho que esse livro daria muito pano pra manga para muitos que estudam coisas do gênero que abordei.

Nada nunca é igual. Seja um segundo mais tarde ou cem anos depois. Tudo está sempre se agitando e se revolvendo. E as pessoas mudam tanto quantos os oceanos.

Quero sim futuramente fazer uma releitura, acho que algumas coisas que me incomodaram foi por que psicologicamente eu não estava preparada para ler, mas um livro que no inicio eu achava que não passaria de três estrelas e ao terminar quis dar cinco estrelas, o meio termo para mim é mais que suficiente.

Até mais.

 

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