Ela

Ela sempre teve problemas com sigo sempre criou e travou batalhas por bobeiras em sua mente: era um fio de cabelo que não ficava no lugar, uma gordurinha minima que pulava para fora da calça, um tornozelo mais grosso do que o normal, uma espinha indesejada mas fruto de várias besteiras que ela come e por aí vai.

Ela sempre se podou: queria andar de skate mas tinha medo de cair e por isso, nunca aprendeu. Queria dançar mas tinha vergonha do seu jeito desengonçado e seus quilinhos a mais. Queria ser escritora, mas sempre escondeu cada palavra que rascunhou na vida por achar bobo demais.

Ela criou universos, passava o dia inteiro querendo chegar em casa para deitar e sonhar, mas não o sonhar quando a gente adormece, ela buscava o sonhar acordada, tanto que quando demorava demais pra chegar em casa, a janela do ônibus ou do trem se transformava em uma tela em branco para a sua imaginação. Só que quanto mais ela criava seus mundos, mais ela se afastava da realidade e quando era puxada para o dia-a-dia ela se assustava, se sentia fora dos padrões. Não se encaixava. Quantas vezes sorriu quando queria chorar por estar aonde estava.

Ela encontrou muitas pessoas nessa vida e até determinado momento ela se lembrava de cada rosto, embora nomes nunca foi seu forte. Mas deixou essa coisa de lado quando percebeu que a reciproca nem sempre é verdadeira.

Encontrou muitos amores de meninos bobos que andavam a cavalo em frente de sua casa – e viravam cavaleiros na sua imaginação, – a homens que diziam coisas bonitas como poetas, mas sempre seguiam com a sua vida depois de um dia qualquer.

Por essas e outras razões, mundos criados e palavras ditas da boca pra fora, ela sempre se limitava. Não saia com aquela roupa por que sempre alguém falava algo, não andava de salto porque sempre olhavam, não colocava batom vermelho por que já viu na cara de alguns um redemoinho de insatisfação.

Ela se cortava, tentava ser um triangulo querendo entrar num quadrado. Poderia até sr um quadrado grande, mas ela nunca preenchia o espaço. Espaços esses que ela resolveu construir barreiras e foi cada vez mais indo para os seus mundos e esquecendo de viver.

Ela detesta a si. Ama o que cria na cabeça, só que, nitidamente ela detesta a si. Coloca máscaras e mais máscaras todo santo dia para ser quem ela não é. No mundo real ela brinca de teatro, pois dia após dia, ela usa máscaras porque hoje em dia ela detesta a si: seu cabelo, sua voz, seu peso, seu tamanho, suas roupas… detesta ter dado tanta atenção aos outros a ponto de querer sempre criar um mundo imaginário. Detesta ter se colocado em padrões na qual ela mesma nunca acreditou. Mas está enraizado nela alguns dos pensamentos mais idiotas que uma mulher pode ter. Viraram ervas-daninhas da qual ela luta constantemente.

Ela quer desistir porém algo diz que a luz no fim do túnel ainda estar por vir.

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