[Livro] Trindade do Sertão – Braga Junior

Olá, tudo bem?

Trindade do SertãoUma história de fantasia, ação e terror, situada no coração do sertão de Sergipe. 

O cangaço. Fenômeno da criminalidade brasileira ocorrida entre o final do século XIX e o começo do século XX. Muitos o consideravam uma forma de protesto violenta diante das injustiças sociais ocorridas nas regiões mais pobres do Nordeste. Um movimento social que ganhou fama e notoriedade no país e revelou “heróis” improváveis, os denominados cangaceiros.

E um grupo desses homens começou a incomodar o governo federal com relatos de crimes hediondos e bárbaros.

Para findar com as ações descabidas desse bando, as autoridades nacionais enviaram um jovem promissor oficial, o tenente Marcus Alves. Competente em seu ofício, mas frio, descrente e cético em suas ideologias.  

Só que o soldado, comandando um pelotão de volantes, nunca iria imaginar que, para enfrentar os marginais, teria que colocar em duvidas as suas crenças.

Em Trindade do Sertão, o autor Braga Junior te conduz a uma história alucinante, com muita ação, terror e suspense, abordando temas como religião, racismo e preconceito. 

Comentar sobre esse livro, por incrível que pareça, está sendo difícil de escrever. Para começo de conversa ele foi uma decepção para mim. Por que? Simples: não achei que foi bem desenvolvido e bem amarrado.

Quando baixei esse livro no kindle estava muito ansiosa para começar a ler, mas acabei priorizando outras histórias, e finalmente agora em agosto li. O livro tem uma temática que muito me interessa que é o Cangaço, bem como tem também algo que adoro, fantasia.

Ao iniciar a leitura eu sabia que seria algo que mesclaria um contexto histórico com uma dose de sobrenatural e acredito que o autor tentou entregar isso, só que não funcionou comigo. Para começo de conversa achei o livro mal escrito (alguns poucos erros ortográficos e que não passaram por uma revisão), mas quando digo mal escrito é que algumas coisas pareciam não se encaixar direito, sabe? Quando conversei com o meu pai sobre o livro comentei que parecia ser um circulo tentando ser encaixado em um triângulo.

Agora um tema delicado e espero que você me entenda como irei dizer: por ser filha de nordestinos, sei que há jargões próprio do nordeste, ou seja, há formas de fala totalmente diferente da paulista ou carioca, então eu esperava um texto mais carregado desses jargões que dariam todo uma identidade nordestina para o livro e não foi isso que vi, com uma ou outra palavra na fala dos volantes nordestinos, aquelas mesmas palavras que são ditas nas novelas.

Mas o que me irritou mesmo foi a forma de retratar os cangaceiros. Não, não estou falando em serem uma trindade diabólica, isso não me irritou, só que pareciam não ter um verdadeiro propósito. Aliás, tinha um “dominar o mundo com a maldade”, juro que eu na hora imaginei o desenho do Pink e o Cérebro. A propósito você sabe a história do cangaço aqui no Brasil? Essa foi uma pergunta que me fez bater um papo super maravilhoso com o meu pai (até hoje não entendo o porquê ele não virou professor de história): […]O cangaço manifestou-se na sociedade brasileira como uma forma de protesto diante das injustiças sociais observadas nas regiões mais retiradas do país. O nordeste perdeu seu prestigio nacional ainda durante a colônia quando a capital deslocou-se para o sudeste na cidade do Rio de Janeiro. Pouco ou nada mudou durante o Império o que gestou na população local nordestina uma grande insatisfação, principalmente diante do poderio dos grandes proprietários de terras que se apropriavam das melhores terras legando a população serem seus empregados ou manterem terras improdutivas. […]O movimento só toma corpo, porém a partir do fim do século XIX, quando em grande crise na região do nordeste a população se torna arredia aos líderes, crescem as figuras chamadas de “cangaceiros”. (texto retirado do site Info Escola). Sim, em meio aos historiadores existem ao menos três vertentes do cangaço: os mercenários que trabalhavam para os latifundiários; também mercenários mas que trabalhavam para os politicos; e por fim e os mais famosos que são retratados até hoje em dia, eram os cangaceiros que eram vistos pelas autoridades como uma doença que se alastrava pelo sertão nordestino, mas para a população eram uma espécie de heróis […] Por parte das autoridades, Lampião simbolizava a brutalidade, o mal, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população do sertão, ele encarnou valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra […] (texto retirado do site Wikipédia). Depois dessas micro informações e conversando com o meu pai, ver como foi escrito no livro, para mim não se mostrou ser algo positivo, repito, tenho em mente que é uma fantasia e que eles eram endemoniados, mas para as pessoas leigas da nossa nação, ler o livro poderia deturpar o que é realmente o movimento. E na própria sinopse do livro é comentado de forma positiva sobre o cangaço, mas na história parece que não se fez jus. “Mas Willy, você tinha que ter vestido a sua capinha de leitora de fantasia, apenas.” Muitos podem dizer isso e eu vesti, porém, não posso focar só na fantasia se o plano de fundo da história tem um pé na realidade do nosso país.

E falando na fantasia, uma coisa que eu odiei foi a forma como a trindade foi morta. Não era a peixeira com o fio preto que iria matar o mini cthulhu que tinha no pescoço do Cabrunco? Por que quando o personagem principal (que homem valente do sudeste) foi lá para o porão do corvo de três olhos Tião Urubu buscar a tal peixeira, foi isso que ele disse, que a arma branca destruiria o três cangaceiros com cara de Motoqueiro Fantasma.

Desculpa autor, mas eu não achei nem um pouco interessante a história do Quigunga, menino santo que queria se engraçar com uma moça de lábios carnudos que faziam parte da ku klux klan?

Queria muito ter gostado do livro, mas infelizmente, não funcionou. E você? Leu? Gostou ou não? Me diga ai nos comentários.

Beijos e até.

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